“Fake News” e a mídia contemporânea

October 6, 2017 2:47 pm

por Manoela Gonçalves

Fui assistir ao documentário “Fake News: Baseado em Fatos Reais“, que mostra como as “notícias falsas” influenciaram a eleição norte-americana, em que Donald Trump conseguiu se eleger. No documentário tem uma entrevista com um dos criadores do site de notícias falsas. Eles inventavam as noticias mais absurdas e divulgavam nas redes sociais, sendo a principal o Facebook. O jovem de 19 anos entrevistado conta que a ideia surgiu para ganhar dinheiro. Os meninos lucravam por clique, e começaram a criar notícias mais favoráveis a Trump, pois seus eleitores aceitavam e “clicavam” mais do que os da Hillary. Então, eles inventavam noticias e jogavam em grupos com eleitores do agora presidente.

“Notícias” como “Hillary é pedófila”e “O papa apoia Trump” foram das mais acessadas e, consequentemente, das mais lucrativas. Em um dado momento, o menino é questionado a respeito da sua responsabilidade e influência nas eleições presidenciais dos EUA. No primeiro momento parece mais que óbvio que o jovem tem muita influência na eleição de Trump, e isso é até assustador, como um pequeno grupo pode influenciar assim todo um país. Depois comecei a pensar e cheguei a conclusão de que não, que apesar de ter sido uma ótima estratégia para ganhar dinheiro, o jovem não teve tanta influencia assim.

A gente tende sempre a pensar que os meios influenciam as pessoas, mas esquecemos de que as pessoas, a opinião pública, influenciam os meios. A mídia é uma espécie de espelho social, ela reflete o que a sociedade pensa. O menino da entrevista disse que alimentava mais os eleitores do Trump porque eles não questionavam a veracidade das notícias tanto quanto os eleitores de Hillary. Na realidade os eleitores queriam mais motivos para adorarem ao Trump. As notícias falsas não criaram eleitores, os eleitores é que refletiram a criação das notícias falsas direcionadas a eles.

Dificilmente alguém mudou de lado, tanto que é dito que os eleitores de Hillary questionavam, não aceitavam aquilo que estava escrito. A mídia transmite à sociedade o que a sociedade quer ver.

Glória Pérez já fez um monte de novelas, mas só agora aborda a transgenia. Me lembro de uma novela chamada “As filhas da mãe”, em que tinha um personagem transgênero, que saiu do ar por falta de audiência, e agora a novela das 8 nos dá motivos para ser assistida.  Meu pai quando vê continua falando que é baixaria falar de transgenia, nem assiste. Já as pessoas que debatem esse tema encontraram motivos para acompanhar a trama.

Será que são mesmo os programas que influenciam uma mente a disparar contra uma multidão ou esse tipo de mente que reflete na criação de programas violentos? Se analisarmos o conteúdo exibido nos meios midiáticos, percebemos que são tudo frutos da imaginação e perversão humana. As grandes audiências ainda são para programas de guerra e de perversão sexual. Muitos indivíduos acusam as mídias de embutirem tais pensamentos na cabeça da sociedade, mas na verdade o conteúdo é fruto de cabeças e consumido por outras cabeças. A guerra ainda está no desejo humano, se não, os filmes, seriados e programas de guerra não seriam os com maior audiência.

Ninguém é estimulado à subversão pelo rap, mas muitos subversivos é que se identificam com o gênero musical. O funk reflete a realidade hiper sexualizada de muitos. Não podemos dizer que influenciou, por exemplo, aquele homem que ejaculou mais de uma vez em passageiras dos transportes públicos. Pessoas que já vivem a situação de sexualizar tudo ao redor é que estimularam a criação de letras como “sarrando mentalmente em você”. Afinal, o que o homem fez não foi praticamente o que canta a letra de funk? O mesmo acontece com as letras que falam das “novinhas”. Essas letras podem até influenciar a sexualização infantil, mas foi a sexualização infantil, principalmente dentro das periferias, que refletiu no conteúdos das letras de funk.

As notícias falsas alimentaram os eleitores do Trump, mas ela não os criou. Eles já existiam, e só precisavam de mais motivos e por isso as notícias tiveram tanta força. Às vezes parece muito assustador imaginar que existem pessoas com verdades tão diferentes da nossa, com isso é mais fácil responsabilizar os meios midiáticos, como se as pessoas que pensassem diferente de nós fossem tolas influenciadas. Mas a mídia está apenas refletindo o pensamento do grupo que quer atingir. Os meninos das notícias falsas queriam atingir os eleitores do Trump pois aqueles eram mais rentáveis e queriam ler que o Papa apoiava seu candidato. Os homofóbicos fascistas brasileiros saíram do armário com o Bolsonaro, mas Jair não os criou, eles já existiam e foram essas pessoas que na realidade criaram o “Bolso(vo)mito”

Sem dúvidas a mídia serve de combustível e fortalece ao grupo que dela faz uso, mas a mídia é um espelho, ela reflete a opinião pública por mais absurda e inacreditável que possa parecer essa opinião.

Todo branco é racista. E todo preto também.

September 18, 2017 12:08 pm

por Manoela Gonçalves

Não tem jeito, por mais vergonhosa e constrangedora que seja essa realidade, todo branco é racista. Assim ele foi ensinado não só pelos pais, mas pela mídia, escola, amigos e livros. Todo branco é racista e todo preto também.

Eu só posso falar sobre a minha realidade, e pelo que vejo, eu, meus pais e familiares somos racistas. Já fomos mais, mas ainda somos.

“Ah, mas o preto não pode ser considerado racista, pois racismo é algo estrutural e racista é quem se beneficia dessa estrutura.”

Eu só posso falar sobre a minha realidade, e pelo que vejo, já me beneficiei bastante dessa estrutura capitalista. Eu nunca tive como negar, mas já vi e vejo alguns parentes meus que se consideram branco e sentem-se melhores com isso. Vejo um processo de embranquecimento por parte da maioria dos meus familiares, nos gostos, estilo de vida, destinos de viagem, em quase tudo.  Já vi e vejo parentes se apelidarem com termos racistas, eu mesma fui aprender esses termos dentro da minha própria casa. Já ouvi alguns que só lá, como se fosse um ensinamento para não nos associarmos ao lado negro, no sentido literal da palavra.

Minha mãe me disse que minha vó a aconselhava casar com um homem branco, para as filhas não terem trabalho nem sofrimento com o cabelo. Quando criança, lembro mais de uma vez meu avô dizendo, como seu pai dizia que um problema de um preto era outro.

Nós pretos fomos ensinados a odiar ao outro preto, e racismo é isso, no fundo é isso. Por mais que se tenha o discurso estrutural, já que o reflexo desse ódio resultou na desigualdade sociorracial, racismo é ódio a uma raça. E assim como os brancos, nós também somos ensinados a odiar o preto, a diferença é que isso torna-se auto-ódio. Você começa a não ter gostado de ter nascido preto e a querer que seus filhos não experienciem a mesma sensação. Então a forma que der para se proteger e proteger os seus, você faz através dessa estrutura e lógica que associamos ao sistema do branco em que quem tem mais e demonstra, se beneficia. E minha família sempre legitimou essa lógica.

Assim como todos, meus pais também reproduziram bastante o racismo que os foi ensinado. O racismo é passado de pai pra filho, e assim como nós pretos somos ensinados pelos nossos próprios pais, os brancos também aprendem com os seus. Não dá para encontrar o culpado pelo racismo se todos somos.

Não quero eu deslegitimar discursos e movimentos, muito pelo contrário, sou super a favor e grata a eles. Percebo e sinto sua importância principalmente porque foram os movimentos que me ajudaram a perceber esse auto-ódio a que eu fui ensinada, e a partir disso começar a me desconstruir para eliminar o meu lado racista, de enxergar o preto como inferior ao branco, seja no vocabulário racista, nas referências de estudo, nas filosofias adotadas, nas marcas consumidas, nos programas e filmes assistidos, em tudo, até nos sonhos tinha o racismo presente.

Todo preto, assim como branco, foi ensinado ao racismo. A diferença é que de repente como nós nos prejudicamos com as crenças racistas, chega um momento em que não a aceitamos mais. Não seria nem lógico. Com isso, a busca por igualdade racial parece um movimento de uma só cor. Os brancos não refletem muito sobre o racismo, pois isso não te causa sofrimento, e geralmente a reflexão vem com o sofrimento. E é por isso que nós pretos insistimos em afirmar que todo branco é racista. Para que vocês brancos, se incomodem, se possível sofram com o nosso discurso, reflitam, se desconstruam e consigam ao menos criar seus filhos sem a lógica racista. Então toda vez que ouvir a afirmação de que todo branco é racista, entenda como um convite a reflexão a respeito da desigualdade racial e uma intimação a desconstrução para revertermos essa lamentável realidade.

O jeitinho brasileiro

September 1, 2017 11:30 am

por Manoela Gonçalves Ramos

Eu nunca aceitei muito bem o discurso de que o Brasil não presta. De que todos somos corruptos e que nosso governo reflete o comportamento da maioria. Eu nunca percebi o Brasil como um lugar hostil, perigoso e violento como é retratado nos telejornais, e sequer aceito o discurso de que o jeitinho brasileiro seja uma malandragem corrupta.

Chegou um dia em que eu decidi conhecer melhor o meu país. Não só as paisagens e belezas naturais, mas o povo brasileiro e o tal jeitinho que dizem que temos. Descolei umas miçangas pra vender na praia, coloquei na mochila o que pensava ser necessário e lá fui eu conhecer melhor o lugar em que nasci.

As miçangas, apesar de me renderem algum dinheiro, são pretexto para conhecer de verdade os nativos de cada lugar. O valor que ganho nem se compara à quão valiosa é a sensação de pertencimento por cada local em que passo. O legal de viajar vendendo na praia é o olhar que as pessoas têm de mim, não sou tida como turista e sim como nativa, afinal, quando eu estou ali, estou trabalhando. Assim estou podendo conhecer de verdade o povo brasileiro.

E que povo receptivo esse tal de brasileiro!

A dona Maria quando me conheceu, quando viu uma menina viajando sozinha e vendendo, me deu um abraço forte e disse de uma forma muito sincera que torcia muito por mim. Uma outra Maria, que vive vendendo miçangas há anos, agora coroa e continua debaixo do sol trabalhando, fez um manual de dicas, disse que eu deveria ter variedade e me deu alguns trabalhos dela para preencher meu painel. Eu até fiquei sem graça em aceitar, mas não quis fazer desfeita. A Neice, mais conhecida como baiana, disse que se eu precisasse de algo, era só chamar. A Ju, uma “hippie” que viaja com o marido e filho vendendo, me ensinou quais os melhores horários e dias para vender na praia.

Na areia, debaixo do sol, não parece existir concorrência. Todos se respeitam e colaboram um com o outro. Em geral, o brasileiro é um povo que compartilha muito. Eu nunca pedi mas muito me oferecem ajuda. Às vezes, passa alguém vendendo comida e me dá algo. Os preços pra mim são mais em conta e de vez em quando até rolam uns passeios de graça, naqueles dias sem movimento. As pessoas me acolhem e me ajudam. O brasileiro tem esse jeitinho.

A cada lugar que passo percebo que o jeitinho brasileiro é o jeito de uma gente zelosa, acolhedora e extremamente amorosa. O Brasil não é isso que mostram nos telejornais e o mundo tem mais pessoas boas que más.

Eu digo isso porque é o que vejo a cada dia que passa e conheço melhor esse povo brasileiro.

Ainda somos escravos

August 18, 2017 1:39 pm

por Manoela Ramos

Muitas vezes eu me me pego remoendo histórias passadas, estudando o período de escravidão dos africanos e me coloco num papel de sofrida pelo sofrimento dos meus antepassados.

Muitas vezes pensei que não poderia haver crueldade maior do que a que os africanos vivenciaram. Por vezes pensei que nada havia mudado e que todos os pretos, inclusive eu, de alguma forma sofriam com os tempos de escravidão dos antepassados.

Hoje eu vejo que realmente nada mudou. A escravidão ainda existe, a chamada escravidão moderna. E ela não está resumida a uma rotina exaustiva e salário baixo. Ela é punitiva, perversa. Existem agressões para manter os escravizados em condições desumanas, serviços braçais exaustivos, debaixo de sol quente, condições inseguras de trabalho, estupro, tudo.

Nada mudou. A diferença é que eu não nasci escrava como minha tataravó. Eu não nasci escrava, não mesmo. Posso ser massa de manobra, mas escrava não. Então por que fico remoendo a escravidão que não sofri ao invés de tentar revirar e conhecer a escravidão que está acontecendo agora?

Atualmente, quase 46 milhões de pessoas vivem em regime de escravidão no mundo. Os senhores escravagistas ainda existem, as fazendas e plantações de escravos também. E como eu posso efetivamente contribuir para isso acabar?

O que estou fazendo para o fim da escravidão?  Eu, justo eu, que vivo lamentando por meus antepassados feitos de escravos…

Sinceramente, ainda não sei como agir a respeito disso. Sei que posso ao menos tentar não colaborar e enriquecer os escravistas. E que, por agora, posso deixar de me apegar tanto ao passado e me concentrar em conhecer o presente, para ver se assim consigo contribuir para um futuro melhor. Hoje sei que nada adianta lamentar por algo que não sofri se ainda existem pessoas sofrendo. De nada adianta sofrer pelo passado se a realidade do presente é a mesma. É mais lógico que eu sofra pelo presente.

E que eu perceba que no presente eu contribuo para o sistema escravagista através do meu consumo. É o único poder que a massa possui, além do amor, o poder de compra. E o que estou fazendo com ele?

Estou empoderando aqueles mesmos senhores escravagistas que aprisionaram meus antepassados. Estou os enriquecendo comprando produtos baratos produzidos pelo suor de uma pessoa escravizada.

Será que me importo tanto assim com a escravidão? Então por que é que não consigo romper com sua lógica em detrimento dos meus desejos?

Será que focar tanto na escravidão apenas do meu povo não é uma forma de me eximir de culpa? Oras, sou descendente de pessoas que foram escravizadas, essa lógica escravagista não é minha. Mas se não é minha por que eu ainda a legitimo com o meu consumo?

O pior é que eu sei a resposta:

Porque não quero abrir mão do meu conforto.

#VVMeeting – O Encontro do Time VV

August 14, 2017 11:57 am

Na última semana aconteceu o #VVMeeting! Pudemos reunir uma boa parte daqueles que fazem o dia-a-dia da VV, desde as fundadoras às representantes comerciais! O encontro foi realizado na última quarta-feira, em Nogueira, Petrópolis. Embora seja global, com voluntários e parceiros de todos os cantos do mundo, a VV nasceu e tem sua sede no Rio de Janeiro, por isso a região serrana foi escolhida como sede do evento. A anfitriã da vez foi a nossa querida fundadora Mariana Serra.

O encontro foi importante. Além de celebrar os três anos da Volunteer Vacations, que se consolida a cada dia mais no mercado como a principal agência de turismo voluntário do país, foram discutidos novos produtos e estratégias, além também de atividades pra descontração e união do grupo.

“Quase não nos vemos, eles ficam no Rio e eu em São Paulo, mas me sinto conectada com cada um. Obrigada @volunteervac por essa confraternização delícia! Que time incrível ♥️” Marina Caetano, da VV em São Paulo, no instagram.

O #VVMeeting na Serra foi mais uma das ações da VV que buscam fazer a diferença. Nosso lema é aplicado em nosso dia-a-dia. Estamos e sempre estaremos trabalhando todos juntos, valorizando a força do coletivo, buscando nos aperfeiçoar para oferecer aos nossos clientes, vocês, os voluntários e voluntárias que tanto ajudam as pessoas, cada vez mais ferramentas para transformar o mundo em um lugar melhor.

Essa é a VV.

E a novidade: teremos mais #VVMeeting, dessa vez com voluntários… Fiquem ligados.

Por que o cabelo de uma criança preta incomoda tanto?

August 11, 2017 2:20 pm

A infância de uma criança preta é assustadora. Toda a novela que existe por trás do cabelo, essa responsabilidade de desde muito nova ter de domar o lado África para que as pessoas não se incomodem.

Mas, por que o cabelo de uma criança preta incomoda tanto?

Quanto mais a genética africana aflorar na pessoa, mais ela tem de podar esse lado. Quanto mais crespo o cabelo dela, mais sofrerá essa criança. A primeira vez que passaram química no meu cabelo foi aos seis anos. Eu nem sabia o que iam fazer, não tinha discernimento para escolher o que era melhor para meu cabelo, e pelo que todos me falavam isso seria bom pra mim. E fizeram.

Depois, vira uma escravidão, e se você não gosta do teu cabelo a culpa é tua, que não cuida, que tem que hidratar, que tem que passar outra química pois aquela já não é tão boa. Tem que fazer hidratação mil vezes por semana, tem de passar mil litros de creme. Mas nem isso é suficiente. Porque você só é um preto tentando domar seu lado áfrica e os brancos ainda tiram onda do tipo: “ah porque você não deixa seu cabelo natural?”

Mas quando aparece uma criança com o cabelo natural do lado, vem o medo. Acha que tem piolho, que a mãe não cuida, tira sarro.

Gente, mas por que o cabelo de uma criança preta incomoda tanto?

Nem dá pra dizer que minha mãe tem alguma culpa nisso, apesar de responsabilidade, afinal, ela era a minha responsável. Desde muito nova ela me falava o quão lindo era o povo africano. Lá em casa tínhamos vários livros que retratam a beleza do povo preto, sempre tivemos bonecas pretas, contos africanos, e ela sempre me achou maravilhosa e sempre me disse isso.

Mas minha mãe não nasceu tão preta como eu, não tem cabelos tão crespos como o meu. E quanto mais preto, mais racismo. Minha mãe não sofreu o racismo que eu sofri. Apesar dela saber que existe, de sempre ter me ensinado me mostrando que o problema estava nos racistas e não em mim, ela não sabia me defender, porque ela nunca precisou se defender.

Quando a tia Rita ligou dizendo que meu cabelo não estava com balanço, que deveria fazer algo, ela achou que fosse pro bem. Quando lhe foi sugerido por todos que meus cabelos fossem domados, ela não imaginava que estava me escravizando – até porque minha mãe ama salão de beleza – ela não queria que eu sofresse. Como a mãe de um filho gay que tenta esconder para que o filho não sofra. Ela não queria que me confundissem com um pivetinho, ou que me denominassem assim, ou que me colocassem apelidinhos na escola. Ela fez tudo que fez pensando que fosse me ajudar – e, sinceramente, de repente até ajudou mesmo, porque me livrei de muito ódio durante a infância que agora sinto que meu cabelo desperta nos outros.

Não tentem jamais culpar a minha mãe, não tentem jamais culpar o preto pelo racismo que o branco criou. Minha mãe passou química no meu cabelo quando criança pois o cabelo de uma criança preta incomoda muito.

Mas por que o cabelo de uma criança preta incomoda tanto?

De repente a resposta esteja no fato da marginalização de tantas crianças pretas.

É comum pelas ruas crianças pretas sem rumo , fruto de uma relação não planejada e nascendo quase que sem família, filhos da rua. Na nossa sociedade é comum ver crianças pretas pedindo esmolas, vendendo bala, engraxando sapatos, trabalhando em vez de estarem na escola. É comum até ver crianças pretas anestesiando seus sofrimentos com drogas, alucinadas, roubando para comer ou simplesmente para ter o mínimo que uma criança branca tem.

As crianças pretas estão marginalizadas e quem tá nessa situação não têm tempo nem dinheiro pra domar seus cabelos.

Então foi nessas crianças pretas que o cabelo crespo ficou mais evidente e, com isso, o cabelo crespo virou uma característica particular dos marginalizados (os moradores de rua, catadores, pedintes…).

Mas o cabelo crespo – quando digo crespo, não tô falando sobre o enrolado, ondulado, frisado ou algo assim mais aceito pelo padrão – eu tô falando crespo mesmo,  aquele pra cima, o indomável, chamado pejorativamente de duro. O cabelo crespo não é uma característica particular dos marginalizados, e sim dos pretos mais escuros, os que mais sofrem racismo no chamado colorismo.

“Eu sou a cota.” – Manoela Ramos e o racismo estrutural da nossa sociedade

August 1, 2017 3:48 pm

Minha mãe sempre me contava que no Brasil a maioria da população é preta. Então eu ia pra escola particular de arte e educação onde eu, minha irmã, e mais três éramos os únicos pretos da escola. Tinha mestiços, mas esses preferiam se associar aos brancos. Nos restaurantes, no cinema, na praia ou em qualquer outro tipo de lazer, a mesma coisa. Via os pretos servindo. Sempre. Desfrutando, apenas eu e minha irmã. Às vezes tinha mais um.

Eu mesma quase não tinha amigos pretos, só aqueles filhos de amigos da família e os primos.

Depois fui morar no Rio para fazer faculdade e ainda assim eu não via pretos por lá. Eu morava em Copacabana! E ah… lá eu via muitos. Tinha preto morador de rua pedindo e muitos pretos servindo. Às vezes via umas crianças pretas sendo revistadas pela polícia. Na praia, se eu quisesse ver pretos era bom que me localizasse perto da descida de alguma favela Aí eu via meu povo. Fora isso, não via pretos. Nos bares de Copa, Santa Tereza, na São Salvador, do Leme ao Pontal, os pretos são os que estão servindo.

Eu antes não pensava em segregação racial, eu pensava que isso tinha acabado com o fim da escravidão, como se a escravidão tivesse tido um fim. Eu antes vivia na ilusão da segregação social. Até sabia que a maioria dos pretos nasciam pobres, como meu pai, mas pensava que isso tinha relação só com o passado e não também com o presente.

Sou uma preta classe média. Sempre estive ao lado dos brancos, desfrutando da minha classe. Era mais cômodo enxergar as coisas sob a ótica da segregação social. Pois assim eu não estava fazendo nada demais em desfrutar com a minha classe. Como se fosse sorte, quase uma benção. No fundo, todos que estão desfrutando de seus méritos, seus e dos familiares, acreditam e legitimam a meritocracia. Eu pensava que eu tinha mérito em desfrutar, já que meu pai trabalhou tanto para dar tudo de melhor pra minha família.

Depois de um tempo isso começou a me incomodar muito e na época eu pude me dar ao luxo de fazer terapia. Cheguei dizendo que estava angustiada, pois era muita gente passando necessidade e que isso me deixava mal. A terapeuta me perguntou o porquê disso me deixar mal, já que em muitos não provocava reação alguma. Na hora pensei e veio a resposta: porque eu só via os pretos na pior, era algo quase que comigo. Eu me via ali, mas ao mesmo tempo estava ao lado dos brancos desfrutando.

Manoela Ramos, colunista do blog da VV

Manoela Ramos, colunista do blog da VV

Decidi que não queria mais fazer parte disso e dessa vez me mudei para Aiuruoca, no Sul de Minas. Fiquei um ano morando em um lugar onde iam pessoas muito especiais. Pareciam que não estavam presos a essas ilusões criadas, não faziam discriminação alguma, era um local era livre, muitos homossexuais, mochileiros, galera hippie. Por um momento pensei que havia me encontrado.  Pessoas sem preconceito, falando de amor e paz, renegando o sistema que o branco criou. Mas aí me dei conta de que poucos foram os pretos que vi passando por lá, afinal, só desapega quem tem para desapegar.

Foi então que eu vim morar em Salvador, onde 87% da população é preta, onde a cultura africana é super difundida e consumida inclusive por brancos, onde os deuses africanos são reconhecidos e respeitados, e ainda assim o preto está numa desvantagem incalculável aqui. Os bairros de classe média me lembram o Rio de Janeiro onde só vejo os pretos servindo e os brancos desfrutando.

Eu antes pensava que o maior problema que nós pretos vivíamos era em relação a demonização da nossa cultura pois foi esse o problema que sempre me atingiu. Mas aí eu entendi que o grande problema é a pobreza material que a grande maioria do povo preto nasce, aí é que está a desvantagem. O racismo é um problema estrutural e a grande maldade do racismo é manter os pretos em condições miseráveis em detrimento do desfrute dos brancos.

E foi assim desde que as raças começaram a se relacionar. A segregação é racial, a questão social existe apenas para legitimar esse tipo de segregação em um mundo regido pelo dinheiro.

Pensar que a sociedade é dividida agora por classes sociais e não mais por raça, como no tempo da escravidão (como se a escravidão tivesse tido um fim..), é só uma forma de se eximir da responsabilidade.

Tudo bem, é certo que existem as classes sociais, mas essas servem apenas para comprovar que a população preta continua vivendo na miséria e ocupando majoritariamente as classes mais vulneráveis e exploradas da população.

Tá certo também que existe a possibilidade de mobilidade de classe, mas até isso, se você analisar uma periferia, os que mais ascendem são os brancos. Mesmo nas periferias, normalmente são eles os donos de estabelecimentos e são essas as meninas que serão as sortudas escolhidas para virar modelos, cantoras ou fazer comerciais.

O sistema foi criado por brancos e para brancos. O sistema em que vivemos favorece o estereótipo. Eu sei, é muito assustador perceber que até hoje nossa sociedade se configura assim. Mas é a realidade. Acredite, nascer branco na classe média não é mérito, nem sorte nem benção. É o reflexo de que nossa sociedade é estruturada a partir da raça. E nascer preta na classe média é ver essa segregação muito explícita desde pequena.

A cota não simboliza uma sociedade igualitária. Pelo contrário, explicita o quão racista é a nossa sociedade. Ser uma preta classe média é ver explicitamente a segregação.

Afinal, sou a cota.

Elisa Mansur, um ícone da nova geração que faz o bem

June 22, 2017 5:49 pm

Elisa Mansur é uma brasileira que nos dá orgulho. Elisa é uma jovem empreendedora que vive a vida em busca de mudar os cenários em que passa para melhor. Com anos de experiência na área da educação, inclusive como voluntária, ela passou foi para a Draper University, no Vale do Silício, se aperfeiçoar como empreendedora social, que vai atrás de inovações tecnológicas sustentáveis para, assim como a VV, fazer a diferença. Elisa foi Voluntária VV em Jardim Gramacho!

Tivemos a oportunidade de entrevistar a Elisa aqui pro #BlogdaVV nessa última semana e aprender muito com ela sobre o empreendedorismo “de impacto”, sobre sua plataforma, a DoeBem e também trazemos muita coisa que vai te inspirar a ser #voluntário!


Você é descrita como alguém que ama o empreendedorismo social e quer deixar um impacto positivo no mundo. Algo sustentável. Como nós somos da VV, uma empresa que É isso, queria que você definisse o que é o empreendedorismo social hoje, num amplo sentido? E qual o impacto de surgir mais dessas iniciativas hoje?

Eu até prefiro descrever o empreendedorismo social como “empreendedorismo de impacto” e defini-lo como uma ferramenta poderosa nas mãos daqueles que gostam e sabem fazer acontecer, e que têm o objetivo de, acima de tudo, maximizar impacto positivo na sociedade. Todo negócio precisa resolver um problema. No caso do empreendedorismo de impacto, esses problemas podem ser a evasão escolar, a extrema pobreza, doenças crônicas, entre outros.

Eu acredito fortemente no poder de cada indivíduo em promover a mudança e transformar uma realidade que não nos deixa satisfeitos. E hoje, mais do que nunca, temos várias ferramentas à disposição para fazer isso acontecer. Com mais dessas iniciativas, nos tornamos os responsáveis pela construção do futuro que queremos ver para o Brasil e para o mundo. Não precisamos mais terceirizar essa responsabilidade para ninguém!

Você tem várias experiências de voluntariado na área da educação. Como foram as suas e como isso é algo necessário no planeta de hoje? 

Eu comecei a fazer trabalho voluntário através de um programa da minha escola em 2007. A proposta era ajudar alunos de escolas públicas no ensino de matérias como Português e Matemática. Essa primeira experiência me estimulou a fazer parte de outras iniciativas voluntárias mais tarde, organizando atividades lúdicas para crianças em creches comunitárias e hospitais públicos, participando de algumas reformas em escolas e, mais recentemente, mentorando alunos de alta performance do Ensino Público que receberam bolsas para estudar no Ensino Privado. Mais do que ter promovido o meu envolvimento de longo prazo com essas atividades, minhas experiências de voluntariado definiram a minha decisão de vida e de carreira de focar integralmente no empreendedorismo de impacto.

Eu acredito que experiências de voluntariado, sejam elas na Educação, Saúde ou em qualquer outra área, dão uma perspectiva diferente de Brasil e de mundo ao voluntário e um tipo de realização pessoal única. Eu vejo o voluntariado como uma forma de nos trazer à essência do que somos – nos tira do rótulo diário de empreendedora, pai, amiga, advogado, mãe, médico, estudante, chefe, empregado etc. e nos coloca de volta no nosso papel mais importante: seres humanos. No final das contas, o que realmente importa é querer fazer o bem e ajudar os outros. Ser voluntária me trouxe isso.

O que é a doebem?

A doebem é também uma organização focada na promoção de impacto positivo. Foi fundada para aliar o pensamento científico com o impacto social para eliminar a extrema pobreza no Brasil. Hoje somos uma plataforma de doação (www.doebem.org.br) que faz a ponte entre doadores e organizações eficientes, que são selecionadas e recomendadas a partir de critérios rigorosos de gestão, transparência e impacto.

Nós estudamos diversas intervenções, como tratamento de doenças crônicas, missões cirúrgicas, transferência de renda, distribuição de óculos, cirurgias de catarata etc. e verificamos quais possuem evidências robustas, a partir de estudos científicos, de impacto positivo de curto, médio e longo prazo. Por exemplo, sabemos que ao investir 100 dólares na distribuição de remédios contra esquistossomose, é possível aumentar em cerca de 14 anos a presença na escola de uma grupo de crianças.

De forma geral, o objetivo da doebem é promover uma cultura de doação eficiente e proporcionar mais segurança, confiança e transparência ao processo de doação. Queremos reinventar a forma como ajudamos.

Como você acha que podemos relacionar a doebem e a Volunteer Vacations a fim de fazer a diferença no mundo?

A proposta tanto da Volunteer Vacations quanto da doebem é a doação, seja do seu tempo ao ser um voluntário através da VV ou do seu dinheiro através da doebem. São atividades complementares e que, juntas, permitem promover um Brasil mais generoso, próspero e solidário.

Como deixar um legado de mudança positiva – Coluna do Fran

June 14, 2017 3:50 pm

Com minhas viagens participando de dois programas de TV sempre vi muitos cenários de conflito, desastres naturais e locais que precisam de ajuda em suas mais básicas necessidades de infraestrutura. Era bom dar um retorno através de exibir seus problemas e questões para o publico brasileiro através de conteúdo pra TV, mas eu sentia que aquilo era muito fugaz. Ficava sempre a vontade de fazer algo mais impactante e de deixar um legado eficiente e contínuo para tantas pessoas que cruzavam meu caminho e faziam a diferença em minha vida com seus ensinamentos e exemplos de vida.

Foi então que conheci a Mari. E assim nasceu a VV, para cumprir essa minha angústia, por assim dizer. E foi perfeito!

A VV tornou-se a ferramenta perfeita, pois com ela conseguimos definir onde impactar, como, quais as necessidades de cada local, que tipo de ação executar… Tudo isso casado com a experiencia histórica, cultural, de quebra de paradigmas que toda viagem pode proporcionar. Além de tudo isso, conseguimos casar essas experiências com a parte turística de países incríveis! E pouco explorados! E esse legado da VV acaba se multiplicando centenas de vezes quando desenhamos um projeto como o VV Thinking!

Na semana passada inauguramos mais um Workshop #VVThinking! O tema dessa vez foi “Social Aid”, e coube a mim abrir com a “aula show” (no melhor estilo Ariano Suassuna) sobre Geopolítica em Zonas de Intervenção Humanitária. Para variar, a qualidade da turma ditou o ritmo do papo que abordou, além do tema central, questões como novo mercado de trabalho, metodologias de ensino, carreiras não-tradicionais, consumismo, meio-ambiente, capitalismo consciente, empreendedorismo no terceiro setor, quebra de preconceitos… Só para citar algumas. Um misto de intercâmbio de ideias, networking, brainstorm, terapia de grupo (é brincadeira) com uma galera que em comum tinha a vontade/desejo/necessidade de fazer a diferença tatuada na alma.

Não sei se é mais triste ou revigorante constatar como temos poucas (ou nenhuma) iniciativas pensando e debatendo o empreendedorismo social de maneira moderna, prática e estimulante. O mundo está mudando, a grande sacada é fazer parte dessa mudança para que ela seja positiva. O trabalho humanitário e o voluntariado não são apenas ferramentas para melhorar o mundo, mas para melhorar a nós mesmos. Como diz um dos slogans da nossa #VV: vem com a gente!

Muito orgulho ter a VV trilhando esse pioneiro caminho!

Refugiados no próprio país: os invisíveis.

May 30, 2017 11:51 am

Nenhuma organização sabe como resolver o problema. Precisamos de uma nova abordagem nas crises humanitárias.

Em artigo assinado no The Guardian, os subsecretários da ONU Tegegnework Gettu e Stephen O’Brien trazem à luz dados preocupantes sobre o número de pessoas deslocadas no próprio país.

O blog da VV traz o artigo traduzido e endossa a pergunta: O que mais podemos fazer? Como mudar essa realidade?

foto: Soe Zeya Tun/Reuters

foto: Soe Zeya Tun/Reuters

Dos 65,3 milhões de pessoas deslocadas no mundo, mais de 40 milhões, ou seis em cada 10, são deslocados internamente – refugiados dentro de seus próprios países. Eles são a maioria invisível de pessoas deslocadas.

Esses homens, mulheres e crianças estão entre as pessoas mais vulneráveis ​​do mundo. O termo refugiado significa oficialmente alguém que foi forçado a fugir do seu país. Mas, assim como os refugiados internacionais, as pessoas deslocadas internamente (IDPs) perderam tudo para conflitos ou desastres – suas casas, comunidades, bens e meios de subsistência. Ao contrário dos refugiados, porque não atravessaram uma fronteira internacional, os deslocados internos não beneficiam de proteção internacional especial.

Os deslocados internos são os que correm maior risco quando ocorre um desastre, como quando a seca entra e a fome se apodera. Não é por acaso que os quatro países em risco de fome têm um número significativo de deslocados internos. Como podemos melhorar nossa ajuda a eles?

Este é apenas um aspecto dos desafios complexos que enfrentamos, que resultaram nos mais altos níveis de necessidade humanitária desde a Segunda Guerra Mundial. A maioria toma a forma de crises que envolvem uma combinação devastadora de perigos naturais e provocados pelo homem, como se vê nos quatro países que enfrentam a fome hoje: Nigéria, Sudão do Sul, Somália e Iêmen. Essas crises costumam durar anos, causando centenas de milhares de mortes.

Nesses cenários, “business as usual” (negócios comuns) não é suficiente. Nenhum ator ou resposta pode fornecer a solução. Reconhecendo isso, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estavam entre nove entidades das Nações Unidas, com o aval do Banco Mundial, para assinar um compromisso de uma nova maneira de trabalhar na Cúpula Mundial de Ajuda Humanitária há um ano em Istambul. O objetivo consistia em reunir os conhecimentos humanitários e de desenvolvimento, a fim de oferecer melhores soluções às pessoas que sofrem crises complexas. O plano é trabalhar em todo o sistema das Nações Unidas e com os parceiros locais e internacionais para alcançar resultados coletivos, apoiar o progresso do desenvolvimento a longo prazo, respondendo às necessidades urgentes de acordo com os princípios humanitários e trabalhando em colaboração com os conhecimentos especializados de cada organização. O objetivo é acabar com as necessidades humanitárias, não apenas para atender a essas necessidades.

Desde então, estamos colocando isso em prática. Sete países que enfrentam emergências complexas – Camarões, República Centro-Africana, Chade, República Democrática do Congo, Haiti, Somália e Sudão – têm planos humanitários plurianuais que apoiam uma maior coerência com os quadros de desenvolvimento. Na Etiópia, estamos trabalhando para alinhar as atividades humanitárias com o programa nacional de segurança social. Em Mianmar, no Chade e no Iémen, criamos novos fóruns de diálogo para coordenar a nossa análise e planejamento. Enquanto isso, o Banco Mundial comprometeu mais de US$ 14 bilhões (R$ 45,7 bilhões) nos próximos três anos para ser investido nos estados afetados pela crise com significativa ação humanitária.

Nestas crises prolongadas e recorrentes, os agentes humanitários e de desenvolvimento começaram a trabalhar mais estreitamente do que nunca. Isso é contra-intuitivo? Face a uma necessidade tão grave, devemos pensar nos investimentos em governança democrática, nos meios de subsistência e no clima e na resiliência em caso de catástrofe, em vez de nos concentrar exclusivamente no objectivo a curto prazo de salvar vidas e de nos preocuparmos a longo prazo mais tarde?

O fato é que o deslocamento, por exemplo, como tantas das questões que enfrentamos, é uma questão de longo prazo. Em média, as pessoas estão agora deslocadas de suas casas por 10 a 20 anos. Nessas situações, os humanitários tentam fornecer assistência e proteção que salvam vidas, como comida de emergência, água e assistência médica. Este auxílio é vital, mas não é suficiente para enfrentar os desafios a mais longo prazo. Muitas vezes, o que ouvimos das pessoas nessas situações é que eles não querem se tornar dependentes da ajuda.

É aqui que os atores no desenvolvimento intervêm para ajudar as pessoas deslocadas a encontrar emprego, garantir que as crianças tenham acesso à escola, acesso seguro à terra e à habitação, bem como apoiar as autoridades locais a fornecerem às comunidades de acolhimento e aos deslocados os serviços básicos, eletricidade e saúde. Os atores do desenvolvimento também ajudam a construir a resiliência das comunidades de acolhimento e deslocadas para que possam enfrentar melhor os choques futuros, incluindo a redução da pobreza e, sempre que possível, o reforço do Estado de direito, a segurança e a consolidação da paz.

A cúpula foi apenas um ponto de partida para essas mudanças e muitas outras. Seu sucesso será determinado pela forma como entregamos e somos responsáveis ​​pelas mudanças que começamos a fazer. Mas os parceiros humanitários e de desenvolvimento não podem substituir uma ação política orquestrada para pôr fim às crises, aumentar o respeito pelo direito internacional humanitário e os direitos humanos e impedir que surjam crises futuras. Será necessário um esforço verdadeiramente global para cumprir as aspirações da Agenda para a Humanidade e manter a nossa promessa coletiva de “não deixar ninguém para trás”. O PNUD e a OCHA mantêm o nosso compromisso de fazer a nossa parte. Apelamos aos outros para que façam o mesmo.