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RUAS – Ronda Urbana de Amigos Solidários

February 23, 2017 5:19 pm

Por Manoela Gonçalves

Outro dia estava eu andando em Copacabana e reparando a quantidade de moradores de rua por lá. Lembrei que quando me mudei para o Rio, essa foi uma das coisas que mais me chocou. Parecia que eu estava no purgatório ao ver aquele pessoal penando pelas ruas. Alguns eu já até conhecia pela fisionomia (tem um que mora na Miguel Lemos e que sempre cumprimento). Eu já sabia em que rua cada um “morava”, apesar deles estarem sempre se mudando. E percebi que eu não possuía nenhum tipo de relacionamento com esses meus vizinhos. Eu, que cresci brincando com meus vizinhos, que sou super a favor da política de boa vizinhança, que vivia reclamando que nenhuma coroa do meu prédio simpatizava comigo (meus planos de ganhar feijão das boas velhinhas nunca se concretizavam)… não tinha nenhuma simpatia por esses meus vizinhos.

Na hora fiquei um pouco envergonhada de mim mesma, por ter sido preconceituosa, ter tido medo, e principalmente e consequentemente, de não ter conseguido, em quatro anos, ajudar efetivamente nenhum deles. Já dei casaco, cobertor, mas nunca parei para conversar ou ouvir a história de algum deles. Logo eu, que também adoro “assuntar”.

Decidi que isso não iria acontecer novamente.

foto: Bruno Alves/RUAS

Na próxima oportunidade eu seria mais solidária com essas pessoas. Mas, caramba, também não são pessoas que estou acostumada a lidar. Qual seria a abordagem correta? Será que iriam me roubar, só estariam interessados no dinheiro? E se quiserem minha amizade, devem ser muito problemáticos? Quem seriam essas pessoas? Eu sabia que não era assim, que não podia simplesmente chegar sozinha e abordando meus vizinhos desafortunados simplesmente com políticas de boa vizinhança.

Então, lembrei da Luise, uma amiga que coordena o projeto Ronda Urbana de Amigos Solidários- RUAS! Acho que de repente seria isso! Encontrar amigos que estivessem com uma mesma intenção de se aproximar dessas pessoas invisíveis, que só conseguem se fazer visíveis quando estão nos “incomodando”.

Pedi para que ela me incluísse em uma de suas rondas e lá fui eu! Antes da ronda, os amigos solidários nos orientam sobre como agir. Eles passam muita informação interessante, mas a que mais me chamou atenção, e que ficou na minha cabeça a noite toda, foi a de ser sincera. É fundamental levar o que você tem em você para o lugar e para seu interlocutor. Ser sincera. E é impressionante como a sinceridade contagia! E, assim, os moradores de rua corresponderam com muita sinceridade. Eles sabem exatamente os motivos por que estão ali. São pessoas como todos nós: possuem seus defeitos, foram muito exigidos da vida, entraram por caminhos errados, muitas vezes sem volta ou simplesmente viram a vida naturalmente lhes levando para essa situação. A droga é um anestésico muito comum para quem está na rua e, muitas vezes, o motivo pelo qual a pessoa chegou a esse ponto. Mas nem todos usam drogas. Todos têm muita fé, mesmo os mais agressivos. Uns nos viam como missionários apesar do projeto não ter qualquer vínculo religioso. No final, um dos mais arredios puxou um “Pai nosso”. O nome de Deus acalma. Olhar nos olhos também. Por dentro dos olhos todos eram bons.

Não dá para generalizar, cada um ali tinha a sua história. Têm os que nunca trabalharam, existem os que trabalham até hoje mas não tem onde morar.  Um deles era de Belo Horizonte, que vendia doce em tudo quanto é lugar. Eu mesma já tinha comprado uma paçoquinha com ele. Outro já tinha sido feirante até pouco tempo. Teve um que me contou que era muito talentoso, fazia sandálias pra vender, já tinha vendido muito na praia, mas agora não tinha dinheiro nem para comprar o material para produzir novas sandálias. Tinha fé que a ajuda chegaria logo menos.

Cheguei em casa já de madrugada depois de um dia cansativo, mas não conseguia dormir. Estava com muita energia. Com muita coisa boa dentro de mim. Antes de sair para a ronda, os amigos solidários me perguntaram porque que eu estava ali. Eu respondi que tinha coisa boa dentro de mim e que queria passar adiante. Terminei a ronda com mais coisa boa ainda! É impressionante como aquelas pessoas possuem uma sabedoria de vida. Não proposital. E de repente eles nem saibam que a possuem, mas eles tinham muitas coisas boas para passar. Apesar de tudo, eles agradeciam por tudo o que a vida lhes proporcionou, como o nosso encontro. Eles, com tudo que a vida lhes reservou, eram agradecidos à vida.

Acho que essa é a maior sabedoria. Vendo ali de perto tantas histórias fortes, era impossível não ficar agradecido também. É muito bom não ter motivo pessoal significativo para reclamar. E é muito bom saber que mesmo as pessoas que vivem na miséria podem ser tocadas pelo poder do amor.

André Fran, o novo ENVIADO ESPECIAL #VV

February 22, 2017 4:35 pm

André Fran e a #VV pelo mundo!

Nosso co-fundador, VP de comunicações, apresentador, escritor e palestrante agora será também um correspondente especial da #VV! O Fran já viajou por dezenas de países e leva o perfil da #VV, de ajudar o próximo e enriquecer a própria experiência de vida como filosofia pessoal. Em sua nova coluna especial exclusiva para a Volunteer Vacations, ele vai visitar, conhecer e apresentar projetos, pessoas, ONGs, iniciativas que façam a diferença no mundo em que vivemos. Tudo a ver com a VV! E sua primeira empreitada não podia ser mais grandiosa: a sede da ONU em NY!

Mesmo estando nos EUA de férias com a família, após gravar seu famoso programa “Que Mundo É Esse?”, Fran visitou a sede da Organização das Nações Unidas, a principal entidade do mundo no que tange qualquer assunto humanitário. E se tem ação humanitária, tem a ver com a VV. O relato de estreia dele é contando um pouco do legado brasileiro na ONU.

Fran contou que graças a uma amiga que trabalha com a missão brasileira na organização, teve acesso a um tour especial e super exclusivo. Conheceu diversos salões importantes, os auditórios que vemos tantas vezes na TV e os ambientes exclusivos onde decisões de impacto mundial são tomadas. E pode aprender vários detalhes específicos sobre a participação do Brasil junto a entidade.

“Somos um dos poucos países que se relaciona com todos os demais membros da instituição, uma das missões mais respeitadas, que participou de mais de 30 operações de paz. Além disso, somos o principal agente em uma das mais reconhecidas e complicadas missões da organização até hoje: Haiti -MINUSTAH. Temos representações nas 4 sedes oficiais, diplomatas reconhecidos, respeitados e idolatrados, como o finado Sergio Vieira de Mello. Isso é só um pouco do Brasil na ONU, onde a missão de nosso país é considerada um modelo e exemplo a ser seguido (ou pelo menos era até recentemente. Mas, enfim…). Uma pena que esse reconhecimento não seja mais valorizado em nosso próprio país.”

Além da ONU, a nossa #VV também está no Haiti junto com o Brasil, sabia?

Vem com a #VV enriquecer esse legado tão importante do nosso país?

Para ser voluntário no Haiti, escreva para: vv@volunteervacations.com.br.

#VolunteerVacations #Voluntourism #Travel #Humanitary

Joyz, um “like” pode fazer a diferença

February 16, 2017 6:21 pm

A Volunteer Vacations tem como principal objetivo fazer diferença na vida das pessoas. Temos diversas parcerias com ONGs ao redor do mundo que buscam esse objetivo. E a VV também não está sozinha no mundo virtual! Uma das empresas que apareceu recentemente e com uma proposta incrível foi a Joyz. 

Equipe Joyz

Em parceria com a Aioria, foi criado o app Joyz, que transforma simples likes em doações de verdade para as ONGs ou causas que o usuário se afeiçoar e desejar ajudar. Com menos de 6 meses de funcionamento, o Joyz já conseguiu auxiliar ações incríveis como cirurgias, abrigos animais, moradia e afins.

Na última semana Diandra Pugliero e Juliana Ferreira, do Joyz, conversaram com a gente aqui da VV e contaram pra gente muito desse app incrível, onde o importante é espalhar o bem de forma simples e efetiva.

Como surgiu a ideia do Joyz e como ele foi posto em prática?

O Joyz foi criado dentro da Aioria. A ideia era dar valor ao like. Mas vimos que esse tipo de atitude ajuda mesmo quem precisa. Então, há 4 meses reformulamos ele pra ser algo mais ligado a filantropia. O público queria que ajudássemos as pessoas com doações. Chegamos ao Joyz de hoje, que é autossustentável e existe pra ajudar os usuários e suas campanhas. Sempre víamos nas redes sociais as pessoas pedindo ajuda pras suas causas e conseguindo muitos likes, muito engajamento, mas nem sempre isso se convertia em doações reais, muito por conta da burocracia. O Joyz simplifica isso tudo, sem necessidade de transferência bancária e afins.

E nesses 4 meses o Joyz já conseguiu ajudar muita gente?

Sim, muitas! Foi muito gratificante pra gente poder ver isso. ONGs de cuidados animais, com campanhas que conseguiram adesão do público pelo nosso app, pais e mães que precisavam arrecadar dinheiro pra pagar uma cirurgia de um filho doente, organizações que já estão fazendo trabalhos sociais há anos… Ficamos muito felizes com o resultado, e pra nossa sorte, eles também. Já tem ONGs com a gente que atendem mais de 1300 pessoas. Nesse período foram mais de 40 mil reais arrecadados em doações.

Joyz e VV… Que tal essa parceria?

Conhecemos a Mariana Serra e logo vimos o potencial da Volunteer Vacations de ajudar muita gente. Com a Joyz é possível fazer campanhas para ajudar as ONGs parceiras da VV, arrecadar doações para as ações que a VV faz, sejam médicas, reconstrução civil. Podemos também fazer campanhas que ajudam os #VoluntáriosVV, diminuir custos.


Joyz print

O papo com a Joyz foi muito legal e nossa parceria sai em breve… O Joyz é como se fosse o Instagram da filantropia. Você cria o seu perfil e pode doar e receber doações. Cada imagem é uma campanha e cada like uma doação. A moeda simbólica é o “joyz”, que vale US$0,10. O app faz com que cada engajamento seja real. Faz com que o like seja uma fonte não só de empatia, mas de impacto real nas campanhas.

Gostou? Curtiu o Joyz? Quer ajudar ou mesmo buscar ajuda pra sua campanha? Entra aqui e baixa o app e começa a usar. A #VV tá no Joyz com o perfil @VolunteerVac!

Missão VV no Sertão de Pernambuco

February 10, 2017 3:08 pm

Do dia 18 ao 22 de janeiro, fomos novamente para uma ação de impacto em Manarí, no Sertão de Pernambuco!
Dessa vez o objetivo principal da Missão foi fazer o cadastramento das crianças (e suas famílias) que são assistidas pela ONG e, como todas as ações com o Ciranda, incentivar a leitura entre os pequenos. Além disso, fomos com o intuito de trabalhar com as crianças suas identidades. Resgatar suas personalidades, seus desejos e mostrar que cada uma daquelas crianças poderá escrever e mudar sua história.

Iríamos atuar em três diferentes sítios ao longo desses três dias e, quanto mais crianças e famílias atingíssemos, mais impacto teria o nosso trabalho. A necessidade dessa missão veio para nós por conta de uma triste realidade que existe no sertão: muitas crianças não sabem seus nomes e idades, não sabem os nomes dos irmãos e nem mesmo a série em que estão na escola.

Além dessas questões serem de entendimento básico de cada um, a última vez em que o Ciranda levou as crianças para um passeio, uma delas se machucou e, ao chegar no hospital, não sabia seu nome e nem idade. Por todas essas questões a serem trabalhadas, juntamos um grupo de doze voluntários para que fossem junto conosco realizar essa incrível missão!

Nos encontramos no aeroporto no dia 18, quarta-feira, e lá já veio a primeira surpresa: o Augusto, amigo e parceiro do Ciranda Sertaneja, iria nos acompanhar nessa viagem. O Augusto-Amigo (brincadeira carinhosa que fizemos no primeiro dia de viagem: cada pessoa tinha que falar seu nome e um adjetivo com a primeira letra do seu nome), trabalha com recreação e desenvolvimento de crianças. Ele foi essencial para quebrarmos o gelo com os pequenos ao chegarmos aos sítios (lugar de atuação) e também para a integração dos voluntários entre si e com o novo ambiente!

Saímos do aeroporto ao meio dia rumo à Manarí e chegamos na pousada por volta das 19h30. Cada um foi alocado em seu quarto e logo depois nos encontramos para jantar e batemos o primeiro papo: é muito importante que façamos uma segunda capacitação com nossos voluntários. Falamos sobre a programação dos próximos dias, como será nossa atuação, pedimos para que todos se apresentem e falem um pouco mais sobre suas expectativas com a viagem e o propósito de estarem ali. Depois, hora de descansar porque o dia seguinte começaria cedo!

Nos três dias seguintes, sairíamos às 8h da pousada em direção aos sítios. As mesmas atividades foram repetidas, já que cada dia seria em uma nova escola, com novas crianças e famílias.

Fizemos uma atividade “quebra gelo” com as crianças, diversas cantigas e brincadeiras em uma grande roda, todos juntos. Depois, era o momento de dividir os voluntários em dois times: enquanto um ficava fazendo o cadastro com as mães, os outros ficavam fazendo as atividades com as crianças.

A primeira atividade realizada com os pequenos era fazer uma moldura para que pudessem levar de recordação depois, com seus nomes e idade. Tomamos o cuidado de fazer com que cada criança escrevesse seu próprio nome, para que tomassem para si mesmos a própria identidade. Cada plaquinha era personalizada pelas crianças com ajuda dos nossos #voluntariosvv e, no final tiramos foto de cada uma com sua placa, para anexar ao cadastro.

Samuel e nossa Voluntária VV Anielson, 10 anos

Logo depois, passávamos para a atividade da leitura de história. Cada voluntário ficava com um grupo de crianças e iniciava a leitura de um livro infantil. A ideia era que no final, cada criança pudesse contar um novo final, para associar e entender que cada uma pode criar a sua própria história de vida, o seu rumo.

Paralelo a isso, continuavam rolando os cadastros com as mães, responsáveis pelos pequenos. Nesse cadastro perguntávamos informações básicas como nome, idade, série, quantas pessoas moravam na mesma casa, renda familiar, tamanho de roupa, etc.

Por fim, levamos um grande pano de 2m de altura, para que cada criança deixasse sua marca registrada, através das suas mãos. Fizemos um lindo painel com as mãos de cada um, sempre explicando e tentando fazê-los entender o que aquilo representava de fato e o quanto a identidade de cada um é importante.

Foram três dias de muita troca entre os voluntários, professores, crianças e famílias. Foi impactante ver a felicidade de todos em se reconhecer em gestos tão pequenos. Conseguimos impactar mais de 250 crianças e cadastramos mais de 160 famílias.

Deixamos um legado verdadeiro, efetivo. Vimos a diferença daquelas crianças em se conhecer, em entender quem realmente são.

Foi lindo demais e logo estamos voltando pra lá com uma novidade linda demais! Guardem na agenda: julho é mês de Sertão com Ciranda Sertaneja!

 

O nosso muito obrigado a todos os voluntários que fizeram esse lindo trabalho, que acreditaram na VV e no Ciranda e que se entregaram de corpo e alma nesses dias tão intensos junto com a gente! Ao Augusto, à Thilaine e Talita, obrigado mais uma vez pela parceria e amizade!