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Amor ou Marketing?

January 19, 2017 12:52 am

Não sabia exatamente o que queria fazer de faculdade, mas por pura intuição me inscrevi para o vestibular da ESPM- RJ. Não conhecia muito bem a instituição, mas tinha um cartaz deles na minha escola, achei as propostas interessantes e resolvi tentar.

Caí de paraquedas naquele lugar. Um ambiente onde as pessoas eram completamente diferentes de mim. Eu na verdade nem sabia muito bem o que era marketing, morei a vida inteira em cidade pequena onde as grandes as marcas não tem interesse de entrar. Mas o que mais chamou minha atenção foi que todos ali estavam empolgadíssimos com a faculdade. Todos amavam o marketing, achavam algo genial.

Os professores exibiam propagandas, ações e campanhas incríveis, o que encantava totalmente os alunos e os deixava cada vez com mais vontade de pertencer aquele universo grandioso e atrativo. Muitos sonhavam com grandes cargos em multinacionais, em campanhas grandiosas e contas ainda maiores.

O que mais me chamava atenção era a quantidade de dinheiro que as empresas destinavam ao marketing. As empresas acreditam realmente nessa ferramenta, eu pensava. Na verdade, não é um dinheiro gasto, mas dinheiro investido. Pois o retorno acontecia e nós estudantes víamos isso de perto e ficávamos cada vez mais motivados.

Assim como a maioria dos alunos do curso de Propaganda e Marketing, eu também passei a achar aquilo tudo genial. Os motivos em si nunca me empolgaram muito, mas o resultado obtido era algo realmente intrigante. Como essa ferramenta é capaz de envolver, engajar e influenciar o comportamento de milhões de pessoas.

Sempre me interessei por grandes líderes, por grandes movimentos e por atos grandiosos. Talvez por isso eu tenha sido atraída para a faculdade de marketing. Afinal, líderes são sempre ótimos “marqueteiros”.

No decorrer da faculdade, comecei a perceber que o marketing é um recurso muito mais antigo do que os nossos professores nos contavam ou que os livros registravam. O marketing existiu a partir do momento em que o ser humano resolveu promover e engajar diversas pessoas com uma ideia. Essa é a essência: promover uma ideia.
O marketing não é necessariamente algo empresarial, como se pensa normalmente. As empresas que se apropriaram dessa ferramenta, definiram um nome bem “marketeiro” para ela e passaram a utilizar em prol de objetivos lucrativos. Puro marketing!

O mais perigoso dessa apropriação empresarial da promoção de uma ideia foi justamente os fins serem apenas lucrativos. Uma pessoa disposta a promover uma ideia e engajar o maior número de pessoas faz isso motivado genuinamente pelo amor. O marketing, a vontade e o dom de promover algo em que se acredita muito, é (ou deveria ser) amor. Mas infelizmente na sociedade em que vivemos o amor é muitas vezes confundido com poder, posses, influência… dinheiro. E o marketing acabou sendo totalmente associado e utilizado para este fim. Ou alguém pensa em revoluções sociais, transformação econômica, ações humanitárias quando pensa em marketing? Não, a palavra geralmente traz a lembrança de promoções de produtos, venda de experiências vazias e ações com fins comerciais.

Eu, então completamente encantada pelo marketing e pela grandiosidade do movimento que ele podia provocar dentro de uma sociedade, não conseguia entender o porquê das empresas não o utilizarem para promover o bem estar social.

-Teria propaganda mais eficaz do que aquela que promove o bem estar social?

-Que pessoa consciente não adoraria aquela marca?

– Por que as marcas não assumem uma responsabilidade social e ao invés de investir milhões em propagandas não investem na sociedade?

-As empresas conseguem um retorno maior quando fidelizam seus clientes, e a melhor forma de fidelizá-los é gerando benefícios para eles. Então, por que não utilizar o marketing para gerar benefícios para a sociedade?
A resposta é muito simples: a maioria das marcas não amam seus clientes muito menos a sociedade como um todo. Vêem na sociedade apenas uma oportunidade de obter lucro, não pensam em melhorá-la. O mais assustador dessa relação marca/sociedade é que a sociedade ama as marcas. As pessoas vestem a camisa, se assumem consumidoras, mostram que as usam e ficam imensamente felizes por pertencer a alguma delas. Quanta insensibilidade das marcas: são amadas pela sociedade, mas não a ama de volta.

Se as marcas amassem a sociedade, elas pegariam todo esse dinheiro que gastam em inserções no horário nobre, ou em bilhões de panfletos, banners e outros materiais descartáveis e investiriam nela. Mas infelizmente elas em sua maioria não amam seus clientes, talvez porque as empresas se vêem como uma organização e não como um grupo de pessoas que possuem sentimentos.

Se houver amor, não é necessário esse marketing tradicional. Não é necessária uma estratégia para motivar os funcionários. Em um ambiente onde existe amor, os colaboradores estão cientes e dispostos a realizar da melhor maneira possível sua missão de atingir o propósito comum. Não é necessário um departamento de pesquisa para conhecer o público alvo. Uma empresa desenvolvida pelo amor, já conhece seu público, até porque só a criou para satisfazer, colaborar e interagir com esse público. Não é necessário gastar milhões de reais em propaganda. Uma empresa amorosa reverte seu dinheiro para a sociedade, que percebe o valor que a empresa tem e partilha com o ambiente em que vive. E isso se torna a melhor propaganda.

O grande problema das empresas, a nocividade que elas apresentaram ao longo dos anos, foi simplesmente pela falta de comprometimento social. As empresas precisam se comprometer com a sociedade. Se elas são as principais beneficiadas com esse tipo de sistema, elas precisam também ser as principais responsáveis pela promoção do bem estar social.

Por: Manoela

Novo destino VV: Chile!

January 6, 2017 1:58 pm

Oi gente, me chamo Soraya e sou uma brasileira que vive no Chile. Dai, queria perguntar para vocês… Qual a primeira coisa que te vem a cabeça quando pensa no Chile?

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Não sei se vocês sabem, mas o Chile é um país com muito a oferecer: da observação espacial no deserto mais árido do mundo, as florestas e lagos aos pés de vulcões, ilhas cheias de lendas, até as geleiras milenares nas áreas mais meridionais do planeta. Além de toda essa beleza natural, o Chile possui uma forte cultura indígena, com diversos povos originais no país.

É nesse país incrível, trabalhando com esse povo andino cheio de tradições, que a Volunteer Vacations inaugura mais um destino. E junto com a ONG na qual trabalho! A gente se encontra na região de Tarapacá, norte do Chile, e trabalhamos com desenvolvimento de comunidades locais. É uma região linda, única e especial! Você sai da praia e chega a 4 mil metros de altitude em poucas horas!

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O povo Aymara que habita essa região possui uma carência muito grande de pessoas mais jovens, pois muitos quando atingem a maioridade se mudam para as regiões urbanas em busca de melhores oportunidades. Assim, os povoados são compostos basicamente por pessoas idosas e crianças.

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Agora que já te situei, vou contar um pouquinho mais sobre o projeto! 🙂

A experiência voluntária aqui é legal porque permite várias atividades! Você irá vivenciar o dia a dia da comunidade, aprender a cozinhar a comida típica deles, ajudar no plantio e a coleta de quinoa e ervas medicinais e também poderá cuidar do gado – não imagine o gado que estamos acostumados, mas sim, as simpáticas llamas! Você também vai poder conhecer de perto as tradições locais: música, cultura, vestimenta… Imagina que legal aprender a tecer com as pessoas desse povoado. Muito importante (e gratificante, também) é a ajuda na construção dos tetos tradicionais de suas casas. Além disso, as crianças e os idosos estão loucos para aprender um pouco mais sobre outras culturas e também ensinar um pouco da deles. Uma troca sempre emocionante!

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Por fim, você ainda pode aproveitar pra conhecer as várias belezas naturais que cercam a região: Playa Cavancha, Osasis de Pica, Salar de Huasco, Vulcão Isluga… são algumas das atrações turísticas de Tarapacá. Dá um Google para ver que beleza!

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Bem, sou suspeita para falar sobre a região que me acolheu de braços abertos e tem me ensinado tanto todos os dias, mas só queria que vocês soubessem que nós da ONG e a comunidade Aymara estamos de braços abertos para receber os voluntários VV!

Um grande beijo, e nos vemos no Chile!

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Para se inscrever, é só clicar aqui e preencher o formulário 🙂

Voluntariado por Manoela Gonçalves

January 3, 2017 7:37 pm

Difícil falar sobre mim se tenho 23 anos e tudo que fiz foi me mudar de cidade para fazer uma faculdade de comunicação e publicidade. Muito difícil falar, já que depois que me formei fugi para o meio do mato e fiquei durante um ano refletindo sobre a vida. Como falar sobre mim mesma se eu ainda não me descobri? Como eu vou saber quem sou eu? Bom, o que eu sei é que a publicidade é uma importante ferramenta de transformação social, ainda que pouco usada para essa finalidade. Também sei que passo muito tempo pensando na vida, por isso resolvi escrever sobre ela e é isso que vou começar a fazer aqui no blog da VV. Nos encontramos de quinze em quinze dias para repensar um pouco essa vida.
E ah! Me chamo Manoela 🙂

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Trabalho voluntário
Não é sobre assistencialismo, é sobre interação e amor.

O trabalho voluntário é uma prática muito importante para o desenvolvimento social. É uma troca. Não existe maior beneficiado: quem está atuando se beneficia tanto quanto o que está sendo atendido. Uma troca. Social, de inclusão e interação entre mundos tão diferentes. De um lado, uma pessoa com uma condição confortável o suficiente que lhe permite ajudar o próximo. Do outro, alguém em uma situação preocupante a ponto de despertar em alguém o desejo de ajudá-la a melhorar.

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O trabalho social voluntário é um caminho para a união e para a paz social. Mundos opostos se unem com um objetivo em comum: o desenvolvimento social. Não é assistencialismo, é interação. É a demonstração de preocupação. É empatia. É tentar mostrar que, apesar de tudo, a indiferença é pequena frente ao amor. E que com esse sentimento é possível pelo menos tentar, de alguma forma, fazer a diferença.

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O voluntariado é o inicio de uma jornada de humanização. Ninguém permanece o mesmo após uma experiência de trabalho voluntário. E dificilmente é uma experiência isolada. Depois que essa jornada se inicia é muito difícil parar tamanha a transformação interior que o trabalho voluntário provoca em quem o realiza.
É fundamental que pessoas de diferentes classes estejam em constante interação. A grande magia do trabalho social voluntário está aí. No meio do processo já não da mais para saber quem está ajudando quem: voluntário e assistido se misturam. Todos se ajudam. Os atendidos possuem muita sabedoria de vida, possuem muitas coisas boas para ensinar e passar. Possuem a visão de uma realidade desconhecida para muitos. Eles também estão realizando uma importante função social ao receberem uma ajuda voluntária.

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Muita gente pensa que não tem coragem para realizar um trabalho social voluntário. Achaque não aguentaria se confrontar com realidades tão duras. Que ficaria triste. Confesso que não encontrei nenhum dado estatístico a respeito, mas não conheço ninguém que não tenha saído mais feliz após realizar uma experiência de voluntariado. A realidade material de muitas pessoas pode não ser a ideal. E isso pode ser sim algo difícil de encarar. Mas o que torna uma pessoa carente de verdade é a falta de amor. Quantas pessoas não conhecemos que extravasam alegria mesmo nas condições mais adversas? E quantos considerados bem-sucedidos vivem aflitos, cara fechada, dependente de anestésicos para suportar suas rotinas estressantes? Quem realiza um trabalho voluntário não acha que tem a resposta e solução para toda uma realidade complexa, injusta e cruel. Os voluntários são apenas pessoas cheias de amor. Só isso. São pessoas que acreditam na força desse sentimento e que buscam através dele fazer uma diferença positiva para o mundo e para si próprias.

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