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Fazer o bem não importa a quem

March 31, 2014 3:48 pm

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Texto: Joana Junqueira

Lendo alguns artigos, me deparei com uns argumentos alegando que muitas vezes o turismo voluntário pode fazer mais mal do que bem a população local. Quem defende essa teoria, geralmente usa como exemplo o ato de “pintar uma parede”: ao pintar uma parede de uma comunidade carente o voluntário não está ajudando o povo local, mas apenas esfriando a economia, uma vez que essa parede poderia ser pintada por moradores que seriam remunerados por isso.

Bom, primeiro que é ingênuo acreditar que um grande número de voluntários está disposto a largar sua vida para se dedicar exclusivamente a uma causa ou comunidade qualquer. Segundo, que é igualmente utópico exigir que um voluntário de curto prazo apareça com uma fórmula inovadora para erradicar a fome, pobreza ou outras mazelas que afligem nosso mundo. A maior parte dos voluntários, e felizmente esse número de abnegados vem aumentando significativamente, só pode ou quer dedicar uma parte de seu tempo a atividades humanitárias ou sociais. A realidade é essa. Ponto. Por falta de uma analogia melhor, a mágica é transformar esses ovos em uma omelete!

Sim, a crítica do trabalho voluntário competindo com a iniciativa local procede. E essa é uma questão muito debatida em lugares como a Etiópia, por exemplo. Por isso, devemos ser extremante criteriosos em relação à organização que vamos ajudar e que tipo de trabalho vamos desenvolver. E a Volunteer Vacations foi criada justamente com essa preocupação no seu DNA.  Ao mesmo tempo, essa omelete citada no parágrafo anterior pode se transformar em uma refeição gourmet de fazer inveja aos melhores pratos da culinária mundial!

Uma experiência de trabalho voluntário pode acrescentar ao voluntário, à comunidade local e ao mundo em que vivemos de diversas maneiras e muito mais do que apenas o resultado do trabalho em si. Relacionando-se com a população local, interagindo com a cultura, convivendo e entendendo outra realidade… Ou seja: é preciso estar ali e viver a experiência para mudar algo. E o trabalho voluntário é o catalisador de tudo isso!

As vezes, simplesmente levando um pouco de sua cultura, um voluntário pode ser capaz de ensinar uma técnica desconhecida para aquele povo, ajudando-os a resolver pequenos problemas que fazem grande diferença em seu dia-a-dia. Um grande exemplo disso ocorreu na viagem de uma das voluntárias da VV no Quênia. As mulheres que cuidavam de um orfanato utilizavam a mesma mamadeira para mais de uma criança. Ato que, aqui no Brasil, temos a noção de que pode acarretar na propagação de doenças de uma criança para a outra. Nossa voluntária as alertou e elas começaram a definir uma mamadeira para cada criança.

Levando um pouco de carisma e carinho, um voluntário com certeza irá fazer o dia de uma pessoa feliz. E isso pode ser uma grande diferença!Não importa se é uma criança que não tem com quem brincar ou se é um idoso que não tem alguém para conversar. Desde que o  voluntário esteja disposto a fazer o bem, ele estará cumprindo um imenso favor ao desenvolvimento de comunidades carentes, onde na maior parte das vezes sua população só está acostumada a lidar com conflitos, corrupção, violência ou miséria. Carinho, consideração e gentileza podem ser apenas o que faltava para auxiliar no processo de aprendizado e formação de um jovem ou criança.

O turismo voluntário, mesmo que a curto prazo, faz certas pessoas saírem de suas zonas de conforto, conhecendo não apenas os cartões postais das cidades que visitam, mas sua verdadeira cultura, seus problemas, e as raízes de sua população. E, invariavelmente, as torna mais conectadas ao foco de seu trabalho. E por um período muito maior do que a experiência vivida.

É difícil que um voluntário possa realmente fazer mal a um povo. Talvez ele não tenha a capacidade ou oportunidade de erradicar um problema endêmico, salvar vidas ou transformar a realidade de um país. Mas desde que ele tenha algo de bom a compartilhar, seu esforço terá valido à pena. Basta procurar algo em si que saiba fazer bem, que conheça bem, e se relacionar com uma ONG que tenha um trabalho confiável e respeitado, que está tudo certo. Fazer o bem faz bem, não importa a quem.

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Quem se voluntaria? E por quê?

March 18, 2014 6:10 pm

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  Texto: Joana Junqueira

As principais barreiras encontradas por pessoas que pensam em realizar trabalhos voluntários são: a falta de tempo disponível (82%), as burocracias (49%), as preocupações com a falta de credibilidade das organizações e os riscos envolvidos (47%), a falta de informação sobre como realizar um trabalho voluntário (39%) e o pensamento de que não possuem as características ou experiências adequadas para se voluntariar (39%). Essas questões acabam gerando grande dificuldade para o desenvolvimento e a expansão de uma a cada cinco ONGs pelo mundo.

O trabalho voluntário tem sido visto como uma grande oportunidade de desenvolvimento tanto pessoal quanto profissional. Um total de 87% dos empregadores considera que a participação em um trabalho voluntário pode ter um efeito positivo no desenvolvimento profissional de uma pessoa. Isso ocorre porque quando um profissional se envolve em um trabalho voluntário, fora da área em que costuma atuar, ele acaba por desempenhar funções pessoalmente incomuns, desenvolvendo habilidades que não são estimuladas em seu ambiente profissional, tornando-se um profissional preparado para enfrentar impasses diários. Apenas no período de 2007 a 2008, dois milhões de ingleses realizaram trabalhos voluntários em programas que receberam incentivos de seus empregadores.

Deixando o lado profissional de lado, o trabalho voluntário faz bem para a saúde! Fazer o bem tem sim o poder de curar certos males. Sabendo que tem algo a contribuir, as pessoas se sentem úteis e valorizadas, melhorando a autoestima e consequentemente a saúde mental. O trabalho voluntário é um passatempo que permite às pessoas fazerem novas amizades, se manterem ativas, desenvolverem suas habilidades e adquirirem novos conhecimentos. Segundo voluntários, a satisfação em ver resultados é um dos maiores benefícios de seu trabalho (97%), seguido pelo fato de gostarem do que fazem (96%), de ser uma realização pessoal (88%), de fazerem novas amizades e conhecerem pessoas (86%) e de realizarem algo que fazem bem (83%).

Sendo assim, as desculpas para não se voluntariar podem ser deixadas de lado. Desde que goste de estar em contato com diferentes pessoas e que tenha vontade de ajudar, disposição e comprometimento, qualquer pessoa pode ser um voluntário. Conciliando o tempo livre com algo que lhe traga bem estar pessoal, é fácil encontrar uma atividade voluntária para ser realizada. Para isso, basta recorrer a uma fonte confiável que lhe informará o que é preciso para se colocar à disposição da sociedade.

 

Os dados presentes neste texto foram retirados de pesquisas feitas pela agência Institute for Volunteering Research, do Reino Unido, membro do NCVO (National Council for Voluntary Organisations). A pesquisa completa pode ser encontrada no site http://www.ivr.org.uk/ivr-volunteering-stats

 

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Como achar Férias Voluntárias que funcionem de verdade

March 13, 2014 9:56 pm

Originalmente postado em CNN.com

The idea of volunteering away from home seems like a win-win to many travelers: a way to experience and help another community at the same time. But without a solid, well-designed program and reasonable expectations, volunteer travel can do more harm than good.

Showing up in parts unknown, hoping to make a big difference in a small amount of time, is likely to leave travelers and hosts disappointed.

“You’re not going to change the world in a week or two. You’re not going to eradicate poverty in a village. You’re not going to teach a kid how to read,” said Doug Cutchins, a former Peace Corps volunteer and co-author of “Volunteer Vacations: Short-term Adventures That Will Benefit You and Others.”

The key to having a positive impact in a short amount of time is realizing that your efforts are part of a process, Cutchins said. Results are subtle and come about slowly through a long line of volunteers.

“Development is a tricky process, and as Americans we are very, very product-oriented,” he said.

He’s concerned with what he calls “development by monument,” where volunteers want a completed building or another physical representation of their volunteer efforts to answer the inevitable “what did you accomplish?” question from friends and family at home.

“That’s one of the first questions you’re going to get asked, and it’s hard sometimes for people to say, ‘well, I was kind of part of a process, and we engaged in cultural exchange.’ But that’s really the very best way to do it,” Cutchins said.

Daniela Papi agrees. She is one of the founders of PEPY, a non-governmental organization dedicated to educational development in rural Cambodia. PEPY Tours hosts learning trips that help fund the group’s projects.

The organization has gone from referring to those trips as “voluntourism” to calling them “edu-tourism” or “educational adventures.”

“The number one thing that’s going to happen is that you are going to have a new perspective on your country, on your life, on your choices and how they affect the world, on what it means to live in whatever country that is,” Papi said.

The 10 days or so spent traveling and learning would ideally inform participants’ choices and outlook at home, where they will have the largest impact, Papi said.

Teaching English and construction projects are the most common types of voluntourism projects Papi sees in her region. Travelers involved in a construction voluntourism project should ask the operator and organizations involved about the plans for the structure when the volunteers go home, she cautions. Who is going to take care of it, who will work in it, how will they be trained, and who will fund the training?

A poorly constructed school without trained teachers isn’t likely to have the benefits volunteers envision. And in the case of teaching English, who will teach the children when there are no volunteers, and what effect does a revolving-door model of teaching have on kids?

Successful projects start with the needs of the community, voluntourism organizers say.

“We don’t go in and say, ‘this is what your problem is, and this is how we’re going to fix it,’ ” said Catherine McMillan, a spokeswoman for Globe Aware, a nonprofit that develops short-term volunteer programs.

Members of the community should be involved in identifying and addressing areas where partner organizations can help.

The organization you’re working with should have a strong and ongoing relationship with the community, local non-governmental organizations and project leaders on the ground.

“It’s a complicated kind of tourism, because you don’t want to send folks and do something and then not have, not measure the consequences of that action in the long term,” said Erica Harms, director of the Tourism Sustainability Council, an initiative involving the United Nations and travel partners.

Travelers should ask about the program’s history and its involvement with NGOs or other organizations. Find out where the funding is coming from and where it is being allocated. Ask about how the project is supported over time and how the community was involved in its development, Harms said.

And keep in mind that organizing volunteers to help support these efforts is not free. There are costs associated with housing and feeding volunteers, with transporting them locally, with training them and establishing a system of working that allows visitors to contribute for a short period.

Most of Globe Aware’s programs require a contribution fee of approximately $1,200 per week, which does not include airfare. PEPY Tours cost $500 to $700 a week, plus a fundraising or donation minimum of $500 for individuals.

PEPY Tours participants are giving back mostly through their financial support — which is what will keep the education projects running, Papi said. But visitors can see where their money is going and may have an opportunity to get physically involved.

Cutchins says reputable organizations will be up-front about costs, what is included and where your money will be spent.

Globe Aware‘s McMillan recommends looking up nonprofits on Guidestar.org, which compiles tax forms from nonprofits, to see how operators are spending. It’s also a good idea to contact past volunteers or people who are familiar with the organization’s work on site.

Travelers should be realistic about what would make for a positive experience and select opportunities that fit their skills and interests.

“I think there are very few people who would make really bad volunteers. … It’s really about matching the right person with the right opportunity,” Cutchins said.

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